Esconderijo do Altíssimo

Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

O dom de perdoar

Perdão e Liberdade
Aprendamos a perdoar, conquistando a liberdade de servir.
E imprescindível esquecer o mal para que o bem se efetue.
Onde trabalhas, exercita a tolerância construtiva para que a tarefa não se escravize a perturbações...
Em casa, guarda o entendimento fraterno, a fim de que a sombra não te algeme o espírito ao desespero...
Onde estiveres e onde fores, lembra-te do perdão incondicional, para que o auxílio dos outros te assegure paz à vida.
É indispensável que a compreensão reine hoje entre nós, para que amanhã não estejamos encarcerados na rede das trevas.
A morte não é libertação pura e simples.
Desencarnar-se a alma do corpo não é exonerar-se dos sentimentos que lhe são próprios.
Muitos conduzem consigo, além-túmulo, uma taça de fel envenenado com que aniquilam os melhores sonhos dos que ficaram na Terra, e muitos dos que ficam na Terra conservam consigo no coração um vaso de fogo vivo com que destroem as melhores esperanças dos que demandam o cinzento portal do túmulo.
Não procures para tua alma o inferno invisível do ódio.
Acomoda-te com o adversário ainda hoje, procurando entendê-lo e servi-lo, para que amanhã não te matricules em aflitivas contendas com forças ocultas.
Transferir a reconciliação para o caminho da morte é atormentar o caminho da própria vida.
Desculpa sempre, reconhecendo que não prescindimos da paciência alheia.
Nem sempre somos nós a vítima real, de vez que, por atitudes imanifestas, induzimos o próximo a agir contra nós convertendo-nos, ante os tribunais da Justiça Divina, em autores, intelectuais dos delitos que passamos a lamentar indebitamente diante dos outros.
Toda intolerância é violência.
Toda dureza espiritual é crueldade.
Quase sempre, a crítica é corrosivo do bem, tanto quanto a acusação habitualmente, é um chicote de brasas.
E sabendo que encontraremos na estrada a projeção de nós mesmos, conservemos o perdão por defensor de nossa liberdade, ajudando agora para que não sejamos desajudados depois.



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O perdão



Todos nós, cristãos, sabemos que devemos perdoar sempre que formos magoados, feridos, ofendidos, sob quaisquer circunstâncias.

Por quê então, é tão difícil perdoar?

É difícil sim, porque somos seres ainda muito imperfeitos, com muito orgulho e egoísmo, que nos dificultam o relacionamento entre as pessoas.

Temos grande dificuldade em colocarmo-nos no lugar do outro, procurando perceber os sentimentos e emoções que o levam à ofensa. Muitas pessoas nem se conscientizaram da importância e da necessidade dessa ação para o conhecimento de si mesmas e dos outros.

Temos dificuldades imensas em comunicarmo-nos, uns com os outros, de forma clara, expressando objetivamente nossos pensamentos e idéias. Quantas vezes ofendemos e somos ofendidos pela má expressão das nossas frases, por não nos fazermos entendidos.

Não sabemos também e não nos esforçamos para interpretar, corretamente, o que o outro tenta nos dizer.

Como trazemos ainda, o mal dentro de nós, percebemos nos outros, com muito mais facilidade, os defeitos, o que nos impede de compreendê-los. Habituamo-nos a julgá-los, preconceituosamente, com exigências que não temos para conosco.

Vivemos durante inúmeras reencarnações considerando o perdão, a indulgência, a bondade como expressões de fraqueza, de covardia. Entendíamos um dever vingarmo-nos sempre que nos julgássemos ofendidos.
Hoje, que a luz dos ensinos de Jesus iluminaram nossos corações e nossas mentes; hoje que a lógica da doutrina espírita nos mostra os elementos justificativos da necessidade do perdão, queremos ser bons, perdoar, incondicionalmente, como exemplificou Jesus. Todavia, sentimos dificuldade de libertarmo-nos dos hábitos "de defesa da honra e da dignidade", do "ter vergonha na cara", "ter sangue nas veias", do "não levar desaforo pra casa", porque "difícil não é aprender coisas novas, difícil é desaprender hábitos antigos".

Melindramo-nos, tão facilmente, por tão pequenas coisas, com as pessoas com as quais convivemos e até com as que amamos!... Por quê?

Penso por estarmos, no presente, tentando desenvolver em nós as virtudes exemplificadas por Jesus, esforçando-nos para vivenciar o bem, mas, ainda, muito distantes dessa conquista, irritamo-nos, facilmente, com aqueles que, voluntária ou involuntariamente, nos apontam nossos erros e enganos.

Gostaríamos que todos nos julgassem pelas nossas boas intenções e não pelas nossas atitudes e ações equivocadas. Porém, nós também, em relação aos outros, não nos esforçamos em compreender as suas dificuldades, os seus sentimentos e, queremos deles atitudes e ações que consideramos ideais, mas que ainda estão distantes de ser desenvolvidas por nós, em nós.

 

Por quê devemos perdoar?



Por muitas razões. Devemos perdoar para facilitar a convivência, o relacionamento entre nós e os outros. Todos desejamos ser felizes, viver e trabalhar em ambientes agradáveis, harmoniosos que proporcionem prazer, satisfação, paz e o perdão recíproco, fraterno, de quem compreende que todos cometemos erros e, portanto, precisamos de indulgência, este perdão é o elemento capaz de transformar qualquer ambiente conturbado em ambiente prazeroso.

Devemos perdoar sempre que acontecerem grandes ou pequenas ofensas, porque o perdão desfaz as vibrações negativas advindas do ofensor e de que se sente ofendido, proporcionando a limpeza psíquica, levando à confiança recíproca que, por sua vez, liberta-nos do medo de mostramo-nos tal qual somos, com nossos defeitos e qualidades, de "soltarmo-nos" das amarras da insegurança, da amargura, do preconceito... E essa confiança recíproca, provocada pelo perdão, estimula-nos para a confiança no homem em geral, em nós próprios, em Deus e nas suas leis, abrindo-nos para o bem, para a alegria!

Vivemos em um mundo de ondas e vibrações que se cruzam, se atraem, se repelem conforme suas semelhanças e diferenças. Todo sentimento negativo, da tristeza ao ódio, pelas vibrações tensas e opressas que emitem, atraem outras semelhantes, de encarnados e desencarnados.

Em nosso próprio benefício, pois, precisamos cultivar sentimentos nobres para, ao irradiá-los, atrairmos as irradiações boas. A mágoa, o rancor, a raiva, o desejo de vingança, que nos impedem de perdoar, nos priva também de atrair energias boas e agradáveis.

Quando alguém nos magoa, nos agride, nos fere, o perdão é a nossa proteção contra o assédio das energias negativas.

Se estivermos atentos ao que sentimos quando não aceitamos a agressão alheia, procurando desculpar, na compreensão do momento infeliz do outro, comparando com o que sentimos quando deixamos penetrar em nós essas energias negativas que se casam com as nossas, teremos a comprovação dos efeitos sublimes e balsamizantes do perdão.

Devemos perdoar sempre porque o perdão, mesmo quando unilateral, desfaz o sentimento de animosidade. E no decorrer do tempo, na convivência nesta existência ou em futuras, através dos laços que se entrelaçam, o perdão terá sido a chave que abriu a porta do coração à amizade, ao relacionamento afetuoso, transformando adversários em amigos.

Quem necessita de perdão?

Todos nós, Espíritos eternos, imperfeitos ainda como demonstram a complexidade de sentimentos e emoções contraditórios que se agitam dentro de nós, levando-nos a erros e enganos.

Precisamos conseguir a consciência da necessidade do amparo mútuo e o perdão no dia-a-dia oferece ao que perdoa e ao perdoado a oportunidade de refletir sobre quem é, porque está aqui e para onde vai. O perdão no dia-a-dia leva-nos à humildade de reconhecermo-nos todos iguais, na origem e na destinação, nas possibilidades do desenvolvimento do nosso potencial, com as mesmas dificuldades de aprendizado.

Por quê então, sermos duros, exigentes, rigorosos com os outros e indulgentes conosco?

Como aprender a perdoar?

Perdoar é desculpar, não valorizando a ofensa, minimizando-a; é esquecer o mal recebido; é não sentir no ofensor um inimigo, mas uma pessoa com dificuldades pessoais.

Mas acima de tudo, em um grau elevado de evolução, perdoar é não se sentir ofendido, magoado, ferido pelo outro. Esse ideal a ser perseguido é não necessitar de perdoar porque vê no ofensor um irmão necessitado de ajuda, de compreensão, de amor. Nessa vivência, o exemplo maior é o de Jesus: "Perdoai-lhes Pai, porque não sabem o que fazem". Veja este grande exemplo de fraternidade, humildade, amor ao próximo, amor aos seus algozes, Jesus mesmo sendo humilhado, mesmo sendo perseguido,mesmo acusado, mesmo julgado, condenado, sem direito á um julgamento justo, nos seus últimos momentos, perdoou incondicionalmente a todos sem distinção.

Até conseguirmos alcançar esse ideal é preciso ter essa meta como ponto de chegada, como fim a ser atingido. Um dia, não importa o tempo que levar - aliás, tempo é o que não nos falta: temos a eternidade - conseguimos. Como toda chegada tem seu ponto de partida, precisamos iniciar já, agora, o fortalecimento de nossa vontade no esforço de perdoar seja quem for, em qualquer situação ou circunstância.

Estimulado pela vontade de desenvolver, em nós, a virtude do perdão, devemos nos propor, perseverantemente, o exercício do perdão, sempre que surgir a oportunidade, sem alarde, no íntimo de nós próprios, da maneira que pudermos, em situação simples ou complexa, porque somente no exercício constante no dia-a-dia, a própria ação de perdoar se constitui no reforço da vontade de perdoar.

É uma luta interna, invisível aos olhos alheios, por vezes muito difíceis e tanto mais difícil se torna para a pessoa dominada pelo orgulho e egoísmo.

Aquele porém, que compreende e aceita que somos todos iguais na origem e no destino, como dissemos acima, que todos somos perfectíveis, que a vida não se limita a esta existência, tem os princípios básicos que justificam a necessidade e a capacidade de cada um de nós em perdoar sempre.

Busquemos perdoarmo-nos sempre para que a vida social, "a pedra de toque das boas ou más qualidades", como escreveu Allan Kardec no livro "Céu e Inferno", cap. III item 8, possa propiciar, em nós, o desenvolvimento das qualidades morais que Jesus nos ensinou e exemplificou.

Todos nós temos que aprender e cultivar o perdão. Perdoar é a compreensão do momento do outro, das suas deficiências, do distanciamento do seu espírito em relação ao centro de todo o Universo, da manifestação pura que brota silenciosamente em seu ser.
Não há porque temer, muito menos questionar nossas atitudes quando perdoamos àqueles que nos ofendem. Simplesmente, devemos nos opor à discórdia com o que há de mais sublime em cada um de nós. Perdoar é sentir o amor invadir nosso interior, o amor que conduz à harmonia e à paz do Universo, que dá vida e grandeza.
Perdoar não é uma atitude humilhante, é o reconhecimento da própria Luz que está em nosso coração, é o desejo que o próximo reencontre sua verdadeira natureza.

Perdoar é amar a vida, amar a si mesmo, amar o próximo, pois nossa origem é simplesmente o amor.

 (Texto de Freddy Brandi)
 

quinta-feira, 10 de junho de 2010

MISS IMPERFEITA - Texto da Martha Medeiros publicado na Revista do O Globo.


'Eu não sirvo de exemplo para nada, mas, se você quer saber se isso é possível, me ofereço como piloto de testes.

Sou a Miss Imperfeita, muito prazer.

Uma imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa profissional, mãe e mulher que também sou: trabalho todos os dias, ganho minha grana, vou ao supermercado três vezes por semana, decido o cardápio das refeições, levo os filhos no colégio e busco, almoço com eles, estudo com eles, telefono para minha mãe todas as noites, procuro minhas amigas, namoro, viajo, vou ao cinema, pago minhas contas, respondo a toneladas de e-mails, faço revisões no dentista, mamografia, caminho meia hora diariamente, compro flores para casa, providencio os consertos domésticos, participo de eventos e reuniões ligados à minha profissão e ainda faço escova toda semana - e as unhas!
E, entre uma coisa e outra, leio livros.
Portanto, sou ocupada, mas não uma workaholic.
Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas que operam milagres.

Primeiro: a dizer NÃO.
Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer NÃO.

Culpa por nada, aliás. Existe a Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta Zero. Pois inclua na sua lista a Culpa Zero.
Quando você nasceu, nenhum profeta adentrou a sala da maternidade e lhe apontou o dedo dizendo que a partir daquele momento você seria modelo para os outros.
Seu pai e sua mãe, acredite, não tiveram essa expectativa: tudo o que desejaram é que você não chorasse muito durante as madrugadas e mamasse direitinho.

Você não é Nossa Senhora. Você é, humildemente, uma mulher. E, se não aprender a delegar, a priorizar e a se divertir, bye-bye vida interessante.
Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é ser sempre politicamente correta, não é topar qualquer projeto por dinheiro, não é atender a todos e criar para si a falsa impressão de ser indispensável.

É ter tempo.
Tempo para fazer nada.
Tempo para fazer tudo.
Tempo para dançar sozinha na sala.
Tempo para bisbilhotar uma loja de discos.
Tempo para sumir dois dias com seu amor. Três dias. Cinco dias!
Tempo para uma massagem.
Tempo para ver a novela. Tempo para receber aquela sua amiga que é consultora de produtos de beleza.
Tempo para fazer um trabalho voluntário.
Tempo para procurar um abajur novo para seu quarto.
Tempo para conhecer outras pessoas. Voltar a estudar. Para engravidar.
Tempo para escrever um livro que você nem sabe se um dia será editado.
Tempo, principalmente, para descobrir que você pode ser perfeitamente organizada e profissional sem deixar de existir.
Porque nossa existência não é contabilizada por um relógio de ponto ou pela quantidade de memorandos virtuais que atolam nossa caixa postal.
Existir, a que será que se destina? Destina-se a ter o tempo a favor, e não contra.
A mulher moderna anda muito antiga. Acredita que, se não for super, se não for mega, se não for uma executiva ISO 9000, não será bem avaliada.
Está tentando provar não-sei-o-quê para não-sei-quem.
Precisa respeitar o mosaico de si mesma, privilegiar cada pedacinho de si.
Se o trabalho é um pedação de sua vida, ótimo! Nada é mais elegante, charmoso e inteligente do que ser independente. Mulher que se sustenta fica muito mais sexy e muito mais livre para ir e vir. Desde que se lembre de separar alguns bons momentos da semana para usufruir dessa independência, senão é escravidão, a mesma que nos mantinha trancafiadas em casa, espiando a vida pela janela.

Desacelerar tem um custo.
Talvez seja preciso esquecer a bolsa Prada, o hotel decorado pelo Philippe Starck e o batom da M.A.C.
Mas, se você precisa vender a alma ao diabo para ter tudo isso, francamente, está precisando rever seus valores
E descobrir que uma bolsa de palha, uma pousadinha rústica à beira-mar e o rosto lavado (ok, esqueça o rosto lavado) podem ser prazeres cinco estrelas e nos dar uma nova perspectiva sobre o que é, afinal, uma vida interessante'.